Lembraças de um surfista, seminarista, Guido Schaeffer
Guido Schaeffer, Um menino de Ouro, que queria ser salva vidas quando pequeno, que era médico, para salvar vidas, e se tornou seminarista para salvar vidas, onde queria ser padre para salvar almas.
Mensagem do amigo Samir Aros ao amigo:
"Guido, o que falar desse brother que tive a honra e o orgulho de conhecer?!
Bem, Deus me deu a oportunidade de conhecer o Guido numa "briga"...é isso mesmo, a gente entrou literalmente no tapa, no meio da Rua, quando estudávamos juntos no Colégio Sagrado Coração de Maria, em Copacabana. Mistérios de Deus. A partir daquele momento, conhecia um dos meus melhores amigos. O Guido sempre foi um cara que gostava de desafios, e sua determinação para alcançar seus objetivos era impressionante. Sempre muito radical no surf, tive o prazer de surfar altas ondas com ele. Pude presenciar momentos memoráveis de um cara que amava a natureza, principalmente o mar e o surf. Big Rider por natureza, vi ele encarar ondas gigantes em picos como o Sorriso de Copacabana, Cantão de Grumari nos dias estormes, entre outros. Outro amigo em comum, o surfista pofissional Rodrigo "monster" Resende, sempre dizia que em breve ele estaria praticando "Tow-In", pois o cara gostava de um mar. Más Deus, na sua eterna sabedoria, queria algo mais desse brother. Queria que ele surfasse em águas mais profundas.
Aqui na terra, com o seu chamado pra ser sacerdote, pude ver um cara que se aprofundou imensamente na fé e na busca constante por Deus. Ele falava de Deus com uma enorme alegria, e com toda dedicação e vontade, passou a exercer a medicina em favor dos mais necessitados, sem cobrar um centavo por isso. Filho de uma família de classe média-alta, largou tudo para seguir a Deus, e divulgar toda a sua mensagem por onde ele passava. Guido foi desafiado por Deus a surfar ondas maiores, em mares desconhecidos, e aceitou esse desafio de todo coração. Não fico triste pelo Meu melhor amigo ter partido, aliás, acho que alguém fica triste quando não sabe para onde a outra pessoa vai. Eu sei muito bem onde meu brother se encontra agora....ele está surfando no paraíso, junto de Deus, e um dia estaremos pegando altas ondas juntos nesse mar perfeito.. Abraços Samir Aros"
“Estreita è a porta e apertado o caminho que conduz a vida. Muitos tentarão, mas poucos conseguirão” (Mt 7, 13-14)
Estas foram minhas ultimas palavra para o meu amigo Guido na ultima sexta, 1° de maio. Sua missão na terra se encerraria dali a pouco em um dos seus locais preferidos, o mar. As condições estavam perfeitas: água azul turquesa, céu limpo, temperatura agradável e ondas com bom tamanho. Como de costume, antes de entrarmos na água, Guido puxou a oração e de mãos dadas, agradecemos ao Pai toda aquela beleza e rogamos sua proteção.
Jamais poderia imaginar que esta seria a sua oração de despedida. Mas, naquele mar, o aguardava Jesus, o 1° surfista, aquele a quem Guido buscou incansavelmente e com quem já vivia em tamanha intimidade.
Para uma amiga em comum, já havia confidenciado, usando as palavras de São Paulo – “Morrer pra mim é lucro”, ansioso por receber o prêmio que Cristo reserva para aqueles que entregam a sua vida por ele.
Guido não media esforços para levar a boa-nova do Senhor. O meu primeiro contato com ele foi na praia. A convite de seu irmão Mauricio, fomos surfar em Grumari. Na arrebentação, entre uma onda e outra, fui conhecendo a experiência daquele jovem, na época com 23 anos, que como eu era apaixonado pelo surfe, mas tinha uma algo a mais que havia me chamado a atenção. Qual foi a minha surpresa ao chegar em sua casa e encontrar a sua espera, um amigo padre. Um abraço apertado a 30 cm do chão, e aquele desconhecido se transformava também pra mim em um amigo especial, ou melhor, em um bom pastor.
Guido, como os primeiro apóstolos, sabia o que estava fazendo: o bom papo durante o surfe, o convite para sua casa, a apresentação do mestre. A pescaria estava feita. O Guido havia me fisgado para Jesus. Logo em seguida, me levou para o grupo de oração Fogo do Espírito Santo, obra do Pai que o Padre Jorjão sabiamente confiou aos seus cuidados. Como verdadeiro orientador espiritual, Guidinho foi me formando. Astutamente, me convocou para o núcleo do grupo de oração e, com algumas semanas de grupo me levou para o retiro de lideres de renovação carismática no Quitandinha, em Petrópolis. Ali tive uma experiência marcante do amor de Deus, trave do batismo no Espírito Santo, do qual o Guido foi canal de graça. Esta foi a Tónica da nossa amizade durante os 11 anos que convivemos.
Ao lado do Guido, me sentia desafiado a ir para águas mais profundas. Ele estava sempre por perto para me encorajar a dar passos na fé para conhecer mais a Jesus: a leitura regular da bíblia, a participação frequente em retiros, a peregrinação a lugares santos, a vida missionária (fomos juntos a duas jornadas mundiais da juventude – Toronto e Colônia), a pratica de contemplação através dos exercícios espirituais de Santo Inácio, a caridade como manifestação concreta da Fé, adoração.
Estar com o Guido era beber na fonte da sabedoria de Deus. Não fosse suficiente conhecer as passagens da bíblia e mencionar com precisão a sua localização (livro, capitulo, versículo), a experiência vivida da palavra tornava aquele medico um exímio pregador. Os que não o conheciam poderiam jurar que ele era padre. E quando descobriam que não o era, profetizavam.
Com a persistência característica dos homens de Deus, Guido discerniu cuidadosamente sua vocação. Uma vez tendo escutado forte o chamado de Cristo para ser medico de corpos e de almas, perseguiu com afinco e apaixonadamente o sonho de ser padre. Estava na cara que o Guidinho ia alem do pedido. O que o movia era um amor sem igual pelo seu amigo, Jesus. Ele tinha pressa, porque percebia o quão necessitadas de Deus estavam as pessoas ao seu redor.
A palavra de Jesus na cruz – Tenho sede – reverberava em seu coração. Sede de almas, que o Guido pretendia salvar através da sua vocação. E já o fazia, tamanha a quantidade de pessoas que já tinha resgatado para Deus. Para que não se perdessem, os unia através de um propósito, fosse ele um grupo de oração, uma obra de caridade, uma missão confiada individualmente. O Guido era um semeador como poucos. Com o adubo poderoso de sua palavra, fecundava desde corações de terreno fértil aqueles de solo pedregoso.
A sua ordenação traria frutos incontáveis para nossa Igreja. Numerosas conversões, novas vocações, obras de caridade, famílias santas. Mas, o bom Deus quis levar a sua jóia preciosa ainda jovem. Hoje, refletindo sobre a partida precoce do meu amigo para a casa do Pai, fico a pensar na chuva de bênçãos que derramara sobre nos. Isto porque se o alcance da sua bondade já impressionava quando aqui na terra, imagina o que fará ao lado de Jesus lá do alto do céu.
Digo isso com dados e fatos, porque me casei no sábado, dia 2 de maio, no mesmo dia em que foi encomendado o corpo deste meu amigo de fé, irmão, brother do surfe. A pequena homenagem que fiz no final da cerimônia, falando sobre sua vida, tocou muitos corações. O câmera-man que me acompanhou ao longo de toda a festa me confidenciou, quando se despedia: “Hoje estou com vontade de ir a missa, depois de tudo que vi e escutei”.
Ele que também me aconselhou durante todo o namoro com a Christiana, estava escalado para estar no altar e a contracapa do livro de nossa cerimônia religiosa apontava lá: seminarista Guido Schaeffer.
Mas, o Guido tinha pressa. Com a estola que recebeu na missa de corpo presente, pode realizar o seu sonho – celebrar do altar celeste o meu casamento. E fazendo cumprir o evangelho escolhido para a celebração, não deixou faltar o vinho da alegria durante toda a festa.
Não tenho duvida que o meu broche Guidinho foi pro céu sem escala. Hoje surfa as ondas perfeitas ao lado de seu melhor amigo, o 1° surfista, Jesus Cristo. E intercedera poderosamente por uma renovação na nossa Igreja, suscitando novas vocações, promovendo conversões, libertações, realizando milagres.
Ele conquistou a coroa da gloria, porque escolheu a porta estreita, o caminho apertado que leva diretamente ao céu. Meu amigo Guido é modelo de santidade para a Igreja Católica do Rio de Janeiro. Quero ser melhor, mais santo por causa do exemplo do meu brother Guidinho.
Com saudades, mas exultando de alegria,
Dudu Martins.
Links relacionados:
Primeiro torneio de surf amador da galera da NS-PAZ
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Publicado em: 15/08/2009
Atualizado em: 18/08/2009
Autor: Rafael Furtado
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