- Quando você começou a surfar? Quem influenciou?
Comecei em 1976, nasci
e morei sempre em Copacabana no Posto 5, morava na Rua Barão
de Ipanema, e por influência de um amigo de infância que morava em
frente ao meu prédio, Rodolfo Machado, que tinha um irmão na turma
mais velha da rua, Ricardo Argentino, que surfava. Rodolfo insistia,
então começamos, ele pegava uma fish amarela do irmão. Ele, eu e
o hoje competidor e professor de surfe de long board, Alan Gandra começamos
juntos naquela época.
- Pico preferido?
Sempre foram Posto 5 (Copa) e Grumari! Esta a melhor e mais completa onda do Rio de Janeiro Capital.
- Qual o seu Quiver? Fale um pouco de cada prancha do seu quiver shaper e modelo.
Olha eu fiz sempre as pranchas com os melhores de cada época, minha
primeira prancha nova foi uma Pepê, single fin, com canaletas, que
na época eram o equipamento.
Depois fiz com Vandebilt, uma twin fin na época que as twin fins dominaram
o mercado, e depois apenas Hidrojets, com Luíz Ferreira e Ricardo Martins,
década de 80 toda. Hoje em dia só com o pessoal da Wetworks, que é
a galera da Hidrojets.
Meu quiver hoje:
-
uma 5'10" swallow com bicos e meios largos do Cláudio Hennek.
-
uma 6'3" swallow mais esticada, para o dia a dia, e dias pouco maiores, uma prancha de segurança, também do Cláudio Hennek.
-
uma 7'2" mais antiga feita pelo Claudio Hennek especialmente para mim, estreita, pesada e bem pintail para uma 7'2", para pegar ondas pesadas e médias.
-
e uma 8'2 do Ricardo Martines para ondas de volume, que precisam de remada.
- Qual o seu treinamento para encarar as grandes ondas?
Corrida e natação
sempre, e nos fins de semana se não estiver cansado do treino de natação
no clube, nadar na praia, fazer flexões por mais banal que possa parecer,
são importantíssimas, porque dão força e repetem o movimento mais
importante da entrada na onda: a flexão para subir na prancha.
- Quais os Swells maiores que surfou? os Melhores?
Campeonato Circuito
Company amador na Prainha em 88, vencido pelo Rodrigo Resende, enorme
e fora de controle.
Grumari fora de controle em 91 uma coisa realmente absurda e que ficou
totalmente mexido e com correnteza fortíssima.
Dois Baixios nas maiores ressacas dos últimos tempos no Rio, em 87
e em 97, sendo o de 87 maior, e um Circuito Amador em Ipanema também
em 87 que foi bem grande mesmo, com direito a dente quebrado!
- Conte um pouco da sua historia com o Baixio de Copacabana (Sorriso).
Bom sempre foi uma
imagem mágica, porque nasci em Copacabana, meu pai levava minha irmã
e eu para andar no calçadão pré-Aterro, e desde que nascemos vimos
até hoje todas as grandes ressacas. Via gente surfando e caindo
de peito como o legendário surfista de peito Alemão, este uma das
grandes influências também. Via aquela espuma vindo lá de fora, como
um rolo compressor, uma imagem poderosa e o medo só de olhar. Fora
os amigos entrando para surfar, a adrenalina de estar no outside, ver
quem conseguia dropar uma bomba, ou quem amarelava para entrar no mar,
ou puxar o bico numa das grandes da série... tudo virou motivo para
querer estar ali.
Outra coisa, o nome
é Baixio, sempre foi desde a época dos grandes surfistas de ondas
grandes de Copacabana! Sorriso, é a laje do Castelinho em Ipanema, nome
dado ali por bodyboarders.
- Conte um perrenge que passou surfando.
Olha acidentes, com
cortes, no geral, Posto 5, Recreio e Arpoador.
Teve também um mar bem grande em Grumari, com uma prancha azul de borda
preta Ricardo Martins, nunca esqueço, que vendi para o Luisinho Patolino
aqui do 5, que a cordinha arrebentou, e para sair foram mais de 20 minutos
nadando em correnteza, sem enxergar nada e nenhuma prancha, brabo.
E claro, o mar no Campeonato em Ipanema, enorme como falei acima, em
que fui nocauteado num golfinho, a cara explodiu na prancha, fiquei
grogue, mas corri a bateria, e com dente quebrado!
- Melhor trilha sonora para o surf.
Aí é um barato, porque o surfe acompanha a evolução da música e do mundo em geral! Música e surfe são diretamente ligados em cada época respectiva, cada tendência. Bom, sempre fui ligado a sons, minha família toda, notadamente rock
e hard rock, e quando comecei a surfar a trilha de campeonatos e filmes
de surfe era Led Zepplin, Bad Company, Jefferson Starship e Jefferson
Airplane, Pink Floyd, Pablo Cruise, isto na década de 70 até o final
dela.
Nos 80 entraram os sons da Inglaterra com a New Wave e Punk rock e o
início do skate rock, roupas de borracha e pranchas com cores gritantes
e luminosas. Entra também o aussie rock, e ainda no final dos 80 o
reggae aparece muito forte no cenário. Nos 90 entram como fundo das
trilhas sonoras de filmes e campeonatos, o grunge, misturado a aussie
rock, o reggae vai perdendo força. Aí começam timidamente a aparecer
os sons eletrônicos, mas apenas em filmes,e sempre numa levada
mais viajante. No final dos 90 a música eletrônica entra de
sola, em filmes, em algumas etapas de campeonatos (mas é mais difícil)
e nos cds dos surfistas. Só que curiosamente paralelo a entrada de
sola da eletrônica, vêm um movimento retrô, não só de surfe, pranchas
e roupas, mas de música, como rocks novamente setentistas, como os
que considero chatíssimos Jack Johnson e Donovan Frankenheiter. Hoje,
o ecletismo total domina, vários estilos de música, servem como inspiração
ao surfe. Escuto todos!
- Mande um alow para seu amigos do surf.
Bom a primeira coisa
é surfar por prazer e não por modismos. Surfe com Sol, chuva, água
quente, água fria e congelada. Mas não porque é o "must"
da época, e sim porque faz parte da sua vida, porque virou um estilo
de vida seu, uma rotina, como respirar! E não se trata de ir surfar
todo dia, mas de gostar e amar sempre que puder praticá-lo!
Deixo as palavras de um mestre, o verdadeiro embaixador do surfe, e
cam peão mundial em 1977, Shaun Tomson.
E para quem puder entender o que ele diz:
Eu nunca virarei minhas costas para o oceano.
Eu sempre vou remar de volta para o outside.
Eu vou fazer o drop com determinação.
Eu vou saber que sempre haverá uma outra onda.
Eu vou me dar conta de que todos os surfistas são unidos por um só oceano.
Eu vou remar em volta da zona de impacto.
Eu nunca irei lutar contra uma corrente marítima.
Eu vou tomar cuidado com outros surfistas depois de uma grande série.
Eu vou falar sobre o meu encantamento com o surf para um não-surfista.
Eu vou pegar as ondas, e não remar para a praia.
Eu vou pegar uma onda todos os dias, mesmo que seja na minha mente.
Eu vou honrar o esporte dos reis.
- História do Ganso, contada por um amigo.
Essa ele vai lembrar..
Acho que foi em 1988 (ele sabe a data certa), eu e ele tomamos na cabeça provavelmente uma das maiores ondas que já quebraram no sorriso, estavamos já bem atrás da linha do Shore Break, eramos os mais distantes no pico, quando subiu uma "bomba" de bem mais de 12 pés que veio com toda pressão para quebrar rodando exatamente onde estavamos. Eu disse na hora ao Ganso para não largar a prancha de jeito nenhum, ele largou e mergulhou, o resultado foi um caldo absurdo em que ele foi arrastado por mais de 100 metros em baixo da água... nunca mais ele largou a prancha no sorriso..
E mais.. Como nunca ninguém entrou na casa do Ganso, existe uma lenda de que na verdade a porta da casa dele é uma passagem para um outro universo, e que ele é na verdade um habitante de outro planeta. Isso explicaria também porque ele nunca chega na hora para qualquer encontro, o tempo em seu planeta, nesse outro universo, é diferente do nosso e ele tem dificuldades com o "fuso horário interplanetário".
Rodrigo Soares
Diz a lenda do Zé do Rádio que, quando o swell de sudeste, encaixava com vento sul e maré vazia de lua cheia, antes de o galo cantar, o Ganso já estava no outside do sorriso. Contestado por uns e idolatrado por uma dúzia de fiéis escudeiros, Paulo Ganso ou simplesmente; "Da Goose", não deixava passar uma ladeira em branco. Das suas biquilhas 5'5" multicoloridas Brazilian Dreams as gunzeiras 8' atuais, o Ganso pode ser considerado um ídolo do underground de Copacabana, do beco das garrafas a Emílio Berla, dos fim de tarde na rampa 2, as idas ao canto do Recreio e cercanias nos idos dos anos 70. Ídolo, féra, bom filho, irmão e amigo...Vida longa à Paulo de Tarso, "Da Gosse".
cutibequi.com.br
Essas são algumas perguntas que a galera do surf sugeriu fazer para o Ganso, vamos deixar para proxima matéria sobre esse nosso grande amigo do Posto 5 de Copacabana.
- O Ganso tinha um gato que só fazia xixi na capa da prancha dele.
- O Ganso demorou 14 anos para se formar.
- O Ganso tinha um cachorro que fazia cocô verde e soltava fumaça e só passeava de madrugada.
- O Ganso só frequenta(va) na praia entre a Xavier e uma linha imaginária entre a Xavier e a Bolivar, nunca ultrapassava estes limites, mesmo que todo mundo estivesse "do outro lado".
Agradecimentos e abraços para:
Rodrigo Soares, Pedro Schettino, Christian Cabeça, Lobo, Paulo Cesar, Fiapo.
Quem quiser manda alguma mensagem para o Paulo Ganso, mande um
contato e no inicio da mensagem diga "para Paulo Ganso"